A franquia Missão: Impossível é um dos pilares do cinema de ação moderno, marcada por sua longevidade, sofisticação e pelas performances intensas de Tom Cruise como o agente Ethan Hunt. Baseada na série de TV homônima dos anos 60, a saga fez sua estreia no cinema em 1996, reinventando-se a cada novo capítulo e elevando o padrão para blockbusters de espionagem.
Ao longo de oito filmes, a série consolidou sua identidade através de tramas intrincadas, traições inesperadas, tecnologia de ponta e sequências de ação espetaculares — muitas vezes realizadas sem o uso de dublês por Cruise, desafiando os limites do corpo humano e da lógica cinematográfica. De helicópteros voando em desfiladeiros a saltos HALO de 7.600 metros de altitude, Missão: Impossível tornou-se sinônimo de adrenalina real e autenticidade visual.
A franquia também é notável pela variedade de diretores que deixaram suas marcas — Brian De Palma, John Woo, J.J. Abrams, Brad Bird e Christopher McQuarrie — cada um trazendo um tom único, do thriller paranoico ao espetáculo de ação desenfreado. Mas é com McQuarrie que a série encontrou sua forma definitiva, especialmente a partir de Nação Secreta (2015), ao focar na construção de um universo coeso, com personagens recorrentes e um senso contínuo de urgência.
Missão: Impossível transcende o gênero, equilibrando espetáculo e emoção, espionagem e humanidade. É uma saga que, mesmo após quase três décadas, segue se reinventando e desafiando o impossível — provando que, para Ethan Hunt, salvar o mundo nunca é apenas mais uma missão. É pessoal.

Missão: Impossível (1996)
Em 1996, Missão: Impossível deu início a uma das franquias de ação mais duradouras do cinema moderno. Dirigido por Brian De Palma, mestre do suspense e da tensão, o filme reinventou a clássica série de TV dos anos 1960 com uma linguagem cinematográfica mais ousada e atmosférica. Na trama, o agente Ethan Hunt vê sua equipe ser exterminada durante uma missão em Praga e se torna o principal suspeito da traição. Isolado e caçado, ele precisa provar sua inocência e expor o verdadeiro traidor dentro da IMF. O filme se destaca por sua trama complexa, cheia de reviravoltas e intrigas políticas, além da lendária cena em que Ethan desce suspenso por fios dentro de uma sala ultrassegura da CIA — uma sequência que se tornou ícone do cinema. A direção elegante de De Palma e a performance carismática de Tom Cruise consolidaram o início de uma franquia com identidade própria.

Missão: Impossível 2 (2000)
Com o sucesso do primeiro filme, a sequência veio com uma proposta completamente diferente. Missão: Impossível 2, dirigido pelo chinês John Woo, abraça o exagero estilizado da ação dos anos 2000. A história gira em torno de um vírus mortal, “Quimera”, e seu antídoto, que caem nas mãos do vilão Sean Ambrose, um ex-agente da IMF. Ethan é enviado para recuperá-los, enquanto se envolve emocionalmente com Nyah Nordoff-Hall, ex-amante do vilão e peça-chave na missão. O filme é repleto de ação coreografada com marca registrada de Woo: câmeras lentas, tiroteios acrobáticos, duelos coreografados e, claro, pombas brancas voando no meio do caos. Apesar de ser o mais divisivo da franquia, MI2 é um retrato vívido do cinema de ação daquela época e ajudou a tornar Tom Cruise ainda mais sinônimo de blockbusters.

Missão: Impossível 3 (2006)
Seis anos depois, a franquia ganhou novo fôlego com a estreia na direção de J.J. Abrams, conhecido por Lost e Alias. Missão: Impossível 3 trouxe mais profundidade emocional e um tom mais sombrio. Ethan Hunt agora vive uma vida relativamente normal, treinando novos agentes e prestes a se casar. Mas é puxado de volta ao campo quando uma missão pessoal se torna urgente: salvar uma antiga pupila capturada por um perigoso traficante de armas, Owen Davian. Philip Seymour Hoffman entrega um dos vilões mais memoráveis da franquia, interpretando Davian como um homem frio, implacável e imprevisível. O filme também introduz a esposa de Ethan, Julia, e questiona o equilíbrio entre sua vida profissional e pessoal. Com ação intensa, narrativa mais emocional e foco nos laços humanos de Ethan, MI3 pavimentou o caminho para o tom que a franquia adotaria nos anos seguintes.

Missão: Impossível – Protocolo Fantasma (2011)
Após três filmes com estilos distintos, Protocolo Fantasma foi o ponto de virada definitivo para a franquia. Dirigido por Brad Bird (de Os Incríveis), o longa equilibra perfeitamente ação espetacular com um senso de humor e leveza que faltavam anteriormente. A trama começa com a IMF sendo desativada após ser incriminada por um atentado terrorista ao Kremlin. Ethan e sua equipe precisam agir fora do sistema para impedir uma catástrofe nuclear. O destaque absoluto é a sequência em Dubai, onde Tom Cruise realmente escala o Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo. É uma demonstração de coragem e comprometimento com o realismo que virou assinatura da série. Com novos personagens carismáticos e cenas de ação que redefiniram os limites do gênero, Protocolo Fantasma marcou a reinvenção moderna da franquia e atraiu uma nova geração de fãs.

Missão: Impossível – Nação Secreta (2015)
Aqui começa a era de ouro da franquia sob a direção de Christopher McQuarrie. Em Nação Secreta, Ethan enfrenta o Sindicato — uma organização clandestina formada por ex-agentes renegados, que atua como um “anti-IMF”. O filme eleva o padrão das cenas de ação e introduz a misteriosa Ilsa Faust, vivida por Rebecca Ferguson, que rapidamente se tornou uma das personagens favoritas dos fãs. A famosa sequência em que Ethan se pendura do lado de fora de um avião de carga decolando é apenas a primeira de uma série de cenas eletrizantes. O mergulho em um reator submerso e a perseguição em Casablanca mostram a habilidade de McQuarrie de combinar tensão, elegância e adrenalina. O filme aprofunda a ideia de um Ethan mais vulnerável, cercado por aliados em quem não pode confiar completamente. A partir daqui, a franquia estabelece um equilíbrio perfeito entre história e espetáculo.

Missão: Impossível – Efeito Fallout (2018)
Considerado por muitos o auge da franquia, Efeito Fallout é um épico de espionagem moderna que combina ação de tirar o fôlego com dilemas morais e emocionais. A trama gira em torno de ogivas nucleares desaparecidas e da possível ressurreição do Sindicato, agora rebatizado de Apóstolos. Ethan precisa impedir um ataque devastador enquanto lida com fantasmas do passado — incluindo sua antiga esposa Julia. O filme é um tour de force técnico, com cenas filmadas em Paris, Londres, Nova Zelândia e Noruega. As sequências incluem um salto HALO a 7.600 metros de altitude, uma perseguição brutal em Paris e um clímax em helicópteros no Himalaia. Henry Cavill entra como o enigmático August Walker, um agente da CIA que desafia Ethan a cada passo. Fallout é o filme que transforma Ethan Hunt em uma figura trágica, heroica e quase mítica, consolidando a franquia como referência no gênero.

Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte 1 (2023)
A sétima missão coloca Ethan diante de uma nova ameaça: a Entidade, uma inteligência artificial fora de controle que representa um perigo global sem precedentes. O filme é mais reflexivo, abordando temas como vigilância, desinformação e o valor da confiança em um mundo digital. Ethan se vê obrigado a confrontar as consequências de suas escolhas, tanto profissionais quanto pessoais. O longa inclui algumas das cenas mais ambiciosas da franquia, como a perseguição em Roma, uma fuga com drift em um Fiat 500 e o espetacular salto de moto de um penhasco, realizado de verdade por Tom Cruise. Acerto de Contas – Parte 1 funciona como um thriller filosófico de espionagem, ao mesmo tempo em que prepara o terreno para a grande conclusão da saga. A morte inesperada de uma personagem querida adiciona peso dramático, deixando o público em suspense para o capítulo final.

Missão: Impossível – O Acerto Final (2025)
Dirigido por Christopher McQuarrie, Missão: Impossível – O Acerto Final entrega uma conclusão épica e emocional para a saga de Ethan Hunt. Oitavo capítulo da franquia e sequência direta de Acerto de Contas – Parte Um (2023), o filme reúne ação vertiginosa, tensão crescente e um senso de encerramento raro em blockbusters contemporâneos. Tom Cruise, como sempre, se entrega fisicamente ao papel com cenas de tirar o fôlego, enquanto o roteiro fecha arcos narrativos que vinham sendo construídos desde Protocolo Fantasma (2011). A dinâmica entre os membros da IMF ganha destaque, com momentos de sacrifício e lealdade que ampliam o peso dramático da missão final. Embora nem todas as respostas sejam dadas de forma explícita, O Acerto Final se destaca como uma despedida à altura de uma das franquias mais consistentes do cinema de ação. Um espetáculo técnico e emocional que reafirma o compromisso de Cruise com o impossível.







